O mercado do boi gordo registrou queda nos preços da arroba em dezembro de 2025, marcando um movimento de correção após meses de estabilidade.
Em São Paulo, a principal praça de negociação do país, a cotação do boi gordo comum recuou para R$ 321 por arroba, uma redução de R$ 1 em relação ao dia anterior. O boi-China, categoria de animais mais jovens, manteve-se cotado a R$ 325 por arroba.
A realização dos ajustes de preços coincide com um período em que os frigoríficos brasileiros contam com escalas de abate mais confortáveis.
Em São Paulo, as programações de abate apresentam média de 11 dias de antecedência, enquanto em outras regiões as pequenas e médias indústrias operam com escalas entre sete e oito dias. Os grandes frigoríficos, por sua vez, mantêm programações acima de 12 dias.
Segundo analistas da Scot Consultoria, o movimento não representa uma mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste pontual decorrente da dinâmica operacional do setor.
O zootecnista Felipe Fabbri ressalta que essa normalização das escalas após semanas de maior pressão por animais reflete o ambiente menos urgente para a compra de gado. A maioria dos frigoríficos já programou suas operações para encerrar antes das férias coletivas, com retomada prevista para o início de janeiro de 2026.
Apesar da queda pontual nas cotações, os fundamentos que sustentam o mercado pecuário permanecem sólidos.
As exportações de carne bovina brasileira atingiram patamares recordes em dezembro, com a primeira semana do mês registrando exportação de 76,72 mil toneladas, representando uma média diária histórica de 15,34 mil toneladas. Comparado a dezembro de 2024, o ritmo atual sinaliza aumento de aproximadamente 41% para o mês completo.
A demanda interna também permanece aquecida. A disponibilidade de carne bovina para o mercado doméstico permanece enxuta, com novembro registrando o menor volume desde março de 2023, próximo a 517 mil toneladas.
Essa combinação de oferta restrita e demanda elevada, particularmente no período de festas de fim de ano, sustenta a firmeza geral das cotações, apesar dos ajustes pontuais.
A trajetória de preços acumulada desde agosto consolida a resiliência do setor. A arroba iniciou agosto em torno de R$ 280, progrediu para R$ 300 em setembro e outubro, e consolidou-se em R$ 330 na primeira semana de dezembro.
Esse movimento de valorização reflete a redução consistente da oferta de animais terminados para abate, combinada com demanda estável tanto no mercado interno quanto externo.
O cenário internacional também oferece suporte. A remoção das tarifas retaliadas pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira amplia o potencial de aumento das exportações para o mercado norte-americano.
A China, principal destino das exportações brasileiras, adiou decisões sobre salvaguardas até janeiro de 2026, reduzindo incertezas no curto prazo.
As projeções para os próximos meses mantêm expectativa de continuidade em patamares elevados. O mercado futuro precifica estabilidade com possíveis altas para dezembro, tendo em vista a persistência de uma oferta limitada e a manutenção do ritmo de compras pela indústria.
Analistas avaliam que novas altas não estão descartadas, especialmente se a reposição de animais no campo permanecer lenta e a indústria sustentar o atual nível de operações.
O encerramento das férias coletivas em janeiro deve trazer novo momentum ao mercado. A retomada das operações em ritmo pleno, combinada com expectativas de demanda renovada do consumidor pós-festividades, sugere cenário de firmeza para o primeiro trimestre de 2026.
A indústria da carne bovina brasileira segue operando em ambiente de fundamentação sólida, onde oscilações pontuais de preço refletem dinâmicas normais de mercado, sem sinalizar reversão da tendência de oferta controlada e demanda sustentada.

