Perfeito. Agora tenho informações suficientes para redigir o artigo. Vou consultar minhas notas e estruturar o texto de forma clara, objetiva e editorial, sem uso de primeira pessoa.
Bitcoin encerra 2025 com a maior queda em 2 anos e entra em 2026 sob nova lógica de preço
O Bitcoin surpreendeu o mercado ao encerrar 2025 com uma queda anual de 8,11%, marcando sua primeira perda em comparação com o período anterior desde o inverno cripto de 2022.
A desvalorização interrompe uma sequência de dois anos de ganhos e frustra projeções otimistas que apontavam preços entre US$ 150 mil e US$ 200 mil para o final do ano. Iniciando 2026, a maior criptomoeda do mundo é negociada abaixo de US$ 90 mil, refletindo uma dinâmica de mercado significativamente alterada em relação aos ciclos anteriores.
O ponto de inflexão ocorreu em outubro, quando o Bitcoin tocou sua máxima histórica de US$ 126 mil em 6 de outubro. O flash crash apenas quatro dias depois marcou o início de uma correção severa.
Em questão de minutos, a criptomoeda caiu aproximadamente 10%, gerando mais de US$ 19 bilhões em liquidações em 24 horas e eliminando cerca de US$ 500 bilhões da capitalização total do mercado cripto. A partir daquele momento, o ativo passou a operar consistentemente 30% abaixo do pico, acumulando desvalorização de 30% até o final de 2025.
Três fatores centrais explicam o fracasso das projeções mais ambiciosas. Primeiro, o cenário regulatório apresentou avanços limitados.
Embora o Genius Act tenha sido sancionado em julho, estabelecendo um marco regulatório para stablecoins e representando reconhecimento institucional do Bitcoin, a Market Clarity Act – considerada fundamental para acelerar a adoção – não foi aprovada e ficou para 2026.
No fluxo de investidores, o forte acúmulo do início do ano não foi mantido. ETFs, grandes carteiras e investidores institucionais impulsionaram os ganhos iniciais, porém o movimento perdeu força significativamente entre outubro e novembro.
Simultaneamente, carteiras antigas realizaram vendas, aumentando a pressão de oferta quando a demanda arrefecia.
A dimensão macroeconômica provou ser decisiva. O Federal Reserve executou apenas três cortes de juros em 2025, abaixo das expectativas projetadas na virada do ano. Embora suficiente para evitar o cenário pessimista, o ritmo de afrouxamento monetário mostrou-se insuficiente para gerar a liquidez necessária a um novo ciclo de alta intenso.
As incertezas sobre a trajetória dos juros americanos, combinadas com o temor em relação à possível supervalorização das ações ligadas à inteligência artificial, criaram um ambiente desfavorável ao apetite por risco.
A mudança estrutural mais significativa, porém, refere-se à transformação do Bitcoin de um ativo cíclico para um ativo macroeconômico. Historicamente, o Bitcoin operava sob a influência de eventos de halving – redução pela metade da emissão de novas moedas – que criavam ciclos de quatro anos previsíveis.
Em 2025, essa lógica perdeu força considerável. Com a emissão anual agora abaixo de 1%, inferior à inflação do ouro, o impacto marginal de cada halving diminuiu. O ativo tornou-se cada vez mais sensível a deficits fiscais crônicos, movimentos dos juros, tensões geopolíticas e dinâmicas do mercado tradicional.
A comparação com o ouro ilustra essa mudança de paradigma. Enquanto o ouro acumulou alta de 55% no pico de 2025 com US$ 50 bilhões em fluxos, o Bitcoin registrou aproximadamente US$ 20 bilhões em entradas sem experimentar a mesma resposta de preço.
Ambos competem na chamada "debasement trade" – estratégia de saída do dólar perante deficits crescentes – mas o Bitcoin não se beneficiou simetricamente.
Paralelamente, o perfil institucional do Bitcoin mudou radicalmente. ETFs, empresas e até entes soberanos absorveram mais de seis vezes o volume total de bitcoins minerados em 2025.
Esse capital institucional opera com horizonte temporal mais extenso e paciência maior, reduzindo a volatilidade extrema característica dos ciclos anteriores. A volatilidade histórica de 90 dias do Bitcoin encerrou 2025 entre 35% e 40%, aproximando-se da de ações de tecnologia de alto crescimento como Nvidia e Tesla.
A elevada participação institucional, a popularização dos ETFs e a maior integração aos mercados financeiros tradicionais transformaram a dinâmica de preço. Modelos históricos tornaram-se menos eficazes para prever movimentos.
O resultado foi um ativo mais maduro e menos explosivo, com reduções de máximas não superando 30% – significativamente inferiores aos recuos de 60% ou mais vistos em ciclos anteriores.
A crise da Strategy e seu fundador Michael Saylor exemplificou as fragilidades dessa nova estrutura de mercado. Com o Bitcoin em alta no início de 2025 e as ações negociadas com prêmio elevado, a operação de arbitragem anunciada por Jim Chanos exposiu vulnerabilidades das chamadas empresas de tesouraria em Bitcoin.
As ações da Strategy, que acumulavam alta de 57% em julho, caíram 42% entre aquele pico e novembro, ilustrando o risco concentrado nesses modelos de negócio.
Analistas concordam que o Bitcoin permanecerá sob pressão enquanto a trajetória dos juros americanos não se alterar.
O economista Paulo Aragão aponta que se houver mudança na política monetária dos Estados Unidos, o Bitcoin deve se fortalecer como ativo alternativo nos portfólios de investidores. Contudo, alerta que essa valorização não será linear.
As projeções para 2026 refletem essa incerteza estrutural. Enquanto otimistas argumentam que a Grayscale e outras gestoras preveem novos patamares recordes no primeiro semestre, a análise da Fundstrat sugere que o Bitcoin pode recuar para US$ 60 mil a US$ 65 mil no primeiro semestre antes de se recuperar para uma meta anual de US$ 115 mil.
O Citigroup projeta um preço de US$ 143 mil, enquanto cenários mais conservadores apontam para uma faixa entre US$ 92 mil e US$ 100 mil.
A grande incógnita para 2026 reside na possível aprovação da Market Clarity Act e na normalização da política monetária americana. Sem esses catalisadores, o Bitcoin tende a permanecer comprimido abaixo de US$ 100 mil, operando ao sabor dos fluxos de capital global e das dinâmicas de risco sistêmico.
O ativo que nasceu como alternativa revolucionária aos mercados tradicionais transformou-se em um instrumento cada vez mais correlacionado com as dinâmicas macroeconômicas globais – uma mudança que redefinirá as estratégias de investimento em 2026.

