Representantes do governo da República Islâmica do Paquistão visitaram o Brasil entre 2 e 10 de dezembro, consolidando um marco importante na cooperação entre os dois países em matéria de desenvolvimento rural e segurança alimentar.
A delegação, composta por dez integrantes da província do Baloquistão atuando nas áreas de agricultura, proteção social e nutrição, participou de um programa de intercâmbio focado em transferência de conhecimento técnico e institucional.
A programação incluiu visitas técnicas pela Região Nordeste, onde os delegados tiveram contato direto com práticas de agricultura familiar, sistemas agroflorestais, bancos comunitários de sementes e projetos de captação de água implementados no Brasil.
Posteriormente, reuniões institucionais realizadas em Brasília apresentaram à delegação as principais políticas públicas brasileiras para abastecimento, segurança alimentar e desenvolvimento rural.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi uma das instituições centrais neste processo, apresentando instrumentos estratégicos como a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o sistema logístico nacional com seu complexo de transporte e armazenamento, e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
O intercâmbio permitiu que a delegação paquistanesa compreendesse como esses mecanismos funcionam na estabilização de mercados agrícolas e na garantia de soberania alimentar e nutricional no contexto brasileiro.
A iniciativa, intitulada "Promoção do Desenvolvimento Rural Sustentável: Um Intercâmbio de Cooperação Sul-Sul e Triangular entre o Brasil e o Paquistão", resulta de uma parceria estabelecida entre o Governo do Brasil, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP).
Essa cooperação se insere no escopo mais amplo da Cooperação Sul-Sul e Triangular, um mecanismo de colaboração entre nações em desenvolvimento que facilita o compartilhamento de conhecimentos, experiências e tecnologias para enfrentar desafios comuns.
Outras instituições brasileiras participaram da articulação dessa missão, incluindo o Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a EMATER-DF.
Essa sinergia institucional refletiu a profundidade e a amplitude do programa de troca de experiências.
Durante as atividades, o Paquistão apresentou demandas específicas relacionadas à gestão estratégica de estoques alimentares e ao abastecimento agrícola.
Os delegados reconheceram o potencial das práticas brasileiras em serem adaptadas ao contexto paquistanês, particularmente em setores como agricultura sustentável, gestão hídrica, redução da pobreza, fortalecimento institucional, empoderamento de mulheres e jovens, adaptação climática e segurança alimentar.
O Ministério do Planejamento e de Desenvolvimento do Baloquistão, representado pelo chefe da delegação Zahoor Ahmed Buledi, destacou a relevância de conhecer programas sociais como o Bolsa Família e políticas de agricultura familiar para compreender como tais iniciativas impactam as comunidades atendidas.
Essa perspectiva ressaltou o interesse paquistanês em adaptar modelos bem-sucedidos brasileiros para seu próprio contexto.
A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, assume papel coordenador nesta iniciativa, facilitando a cooperação técnica e humanitária entre os países.
A cooperação trilateral com organismos internacionais como FIDA, WFP e FAO é considerada estratégica para alcançar resultados escaláveis que beneficiem o Sul Global.
O intercâmbio proporciona benefícios mútuos. Enquanto o Paquistão acessa a experiência brasileira na implementação de programas de desenvolvimento rural e segurança alimentar, o Brasil obtém novas perspectivas e oportunidades de refinar suas próprias estratégias por meio do diálogo horizontal com uma nação que enfrenta contextos distintos.
Essa troca de melhores práticas, estruturas políticas e inovações técnicas amplifica a capacidade de todas as instituições envolvidas em promover transformação rural sustentável.
As relações Brasil-Paquistão, que remetem a 1948, marcam-se por cooperação crescente nas esferas agrícola, comercial e técnica.
Este programa de cooperação rural constitui um avanço significativo nesse processo histórico de estreitamento de vínculos diplomáticos e institucionais, abrindo espaço para futuras ações conjuntas orientadas ao desenvolvimento sustentável e à redução da pobreza nos dois países.

