FGC começa a pagar CDBs do Banco Master em 7 a 10 dias; R$41 bi

FGC começa a pagar CDBs do Banco Master em 7 a 10 dias; R$41 bi

Após meses de espera que marcaram a maior demora de ressarcimento em mais de uma década, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve iniciar os pagamentos aos investidores com Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master entre sete e dez dias.

Conforme apuração do Valor Investe, a instituição já recebeu a confirmação de que o liquidante enviará a relação definitiva de credores nesta semana, desbloqueando os procedimentos finais para o início da restituição.youtube

Os números envolvidos no ressarcimento são históricos para o sistema financeiro nacional. O volume total de pagamentos alcançará R$ 41 bilhões, beneficiando aproximadamente 1,6 milhão de pessoas físicas, com um investimento médio de cerca de R$ 25 mil por CPF.

A cobertura do FGC respeita o teto legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, garantindo que valores acima desse limite integrem a massa falida da instituição e dependam de processo judicial para recuperação.youtube

A demora na entrega da lista de credores pela equipe interna do Banco Master ao liquidante — a EFB Regimes Especiais de Empresas — estendeu-se por mais de dois meses desde a decretação da liquidação extrajudicial em 18 de novembro de 2025.

Esse período representa a maior espera registrada desde a liquidação do Banco Rural em 2013, superando significativamente os prazos históricos de dois a três dias úteis que o FGC normalmente despende entre o recebimento da lista definitiva e o início dos pagamentos.seudinheiro

Diversos fatores contribuíram para o atraso. A disputa jurídica em torno do caso, incluindo questionamentos formulados no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possibilidade de reversão da liquidação, criou incertezas administrativas que retardaram os procedimentos internos.

Além disso, as investigações conduzidas pela Polícia Federal no contexto da Operação Compliance Zero — que apura a emissão de títulos de crédito fraudulentos estimados em R$ 12 bilhões — alimentaram debates sobre a legitimidade do processo de intervenção.migalhas

Nesta semana, duas decisões judiciais significativas reforçaram a segurança para o início dos pagamentos. O ministro Jhonatan Jesus do TCU recuou em relação à inspeção imediata no Banco Central, reduzindo os riscos de reversão da liquidação.

Ainda mais decisivo, o Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida reconheceu formalmente a liquidação brasileira como "processo estrangeiro principal", bloqueando todos os ativos do Banco Master nos Estados Unidos e impedindo ações judiciais que pudessem interromper o processo em andamento no Brasil.globo

A decisão do juiz Scott M. Grossman concede amplos poderes à EFB Regimes Especiais de Empresas para administrar os ativos americanos da instituição, possibilitando que as investigações e o processo de liquidação prossigam sem obstáculos.

Com isso, a defesa do controlador Daniel Vorcaro perdeu força em sua tentativa de bloquear o reconhecimento internacional da liquidação, argumentando sobre a possibilidade de reversão no Brasil.infomoney

A cessação dos rendimentos dos CDBs desde a data da liquidação, em 18 de novembro, reduz de forma progressiva a rentabilidade originalmente contratada pelos investidores. Um investidor que aplicou em CDB remunerado a 120% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) receberá retorno substancialmente menor se o pagamento for finalizado apenas em janeiro ou fevereiro.

Conforme o tempo passa, o impacto aumenta exponencialmente — um pagamento em abril reduziria o rendimento efetivo a aproximadamente 78% do CDI, praticamente igualando o retorno ao de investimentos conservadores oferecidos por instituições de menor risco.investnews

O cenário de fraude que levou à liquidação apresenta dimensões empresariais sofisticadas. Investigações apontam que o Banco Master operava um mecanismo de transferência de ativos de baixa qualidade para fundos estruturados pela Reag, que posteriormente revendiam esses papéis como se fossem saudáveis.

A operação, envolvendo aproximadamente R$ 11,5 bilhões, permitia artificialmente que a instituição mantivesse seus índices regulatórios dentro da normalidade, ocultando um déficit patrimonial real. Outras apurações identificam a venda de carteiras de crédito inadequadamente documentadas ao Banco de Brasília por R$ 12,2 bilhões durante as negociações de venda da instituição.gazetadopovo

Diferentemente de liquidações anteriores de instituições menores, este caso exige procedimentos administrativos e operacionais mais complexos pela magnitude dos números envolvidos.

O cruzamento de dados de 1,6 milhão de investidores com suas respectivas aplicações, valores de rendimento acumulado e conformidade com os limites de cobertura demanda tempo significativo de processamento e revisão, mesmo com suporte tecnológico avançado da equipe do FGC.

O pagamento não ocorrerá de forma automática.

Os investidores que desejarem receber o ressarcimento precisam acessar o aplicativo do FGC, realizar cadastro com documentos pessoais, informar a conta bancária para recebimento e, após a liberação do botão de solicitação no aplicativo, formalizar a requisição com assinatura digital e validação biométrica.seudinheiro

Com a aproximação do início dos pagamentos, encerra-se um período de incerteza que afetou profundamente a confiança de quase dois milhões de investidores. A confirmação de datas específicas para o ressarcimento finaliza uma etapa crítica da liquidação, marcando o ponto de inflexão entre a paralisia administrativa e a recomposição dos patrimônios congelados há dois meses.

A efetivação desses pagamentos representará o acionamento do maior ressarcimento do FGC em sua história, consolidando a função essencial que o mecanismo de proteção desempenha na estabilidade do sistema financeiro nacional.

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Pedro Costa

Pedro Costa é o editor e analista de mercados, dedicado a rastrear a Economia Global e as Notícias de Negócios & Destaques diários. Com extensa experiência em análise macro, ele foca em fusões, políticas econômicas e Curiosidades Empresariais históricas.