A bolsa brasileira acelerou ganhos nesta sexta-feira (12 de dezembro) e retomou o patamar de 161 mil pontos pela primeira vez em dias, sinalizando força na reta final do ano.
O Ibovespa operou em alta de 1,09% nas primeiras horas de negociação, alcançando 161.064 pontos, consolidando a recuperação dos últimos pregões e reafirmando a solidez da performance anual do índice.
O desempenho do mercado acionário reflete um conjunto de fatores econômicos positivos convergindo para o mesmo sentido. A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic estável em 15% ao ano, comunicada na quarta-feira (10), foi absorvida pelo mercado como cenário de estabilidade, eliminando incertezas sobre movimentos de política monetária até o fim do ano.
Esta foi a quarta manutenção consecutiva da taxa básica desde julho, período em que o BC interrompeu o ciclo de elevações de juros que havia marcado a primeira metade de 2025.youtube
A divulgação do crescimento do setor de serviços em outubro também reforçou o otimismo entre investidores. Os dados liberados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram expansão de 0,3% do setor na comparação com setembro, marcando a nona alta consecutiva.
Na comparação com outubro de 2024, o aumento atingiu 2,2%, demonstrando recuperação da atividade econômica. O setor de serviços, responsável por mais de 70% do Produto Interno Bruto brasileiro, renovou seus recordes históricos na série que começou em 2011, situando-se 20,1% acima do patamar pré-pandemia.
O dólar cedeu terreno frente ao real, registrando queda de 0,27% e alcançando cotação próxima a R$ 5,39, movimento que se alinha com o enfraquecimento da moeda norte-americana nos mercados globais.
A pressão de juros mais baixos nos Estados Unidos, sinalizada pelas esperanças de redução pela Reserva Federal, flui positivamente para os mercados emergentes, incentivando fluxos de investimento para ativos de maior rentabilidade.
Entre os destaques setoriais, as commodities mantêm seu protagonismo. Vale e Ambev apresentaram altas, liderando os ganhos do índice, enquanto o setor financeiro opera de forma equilibrada.
Os bancos fecham o dia em trajetória firmemente positiva, contribuindo para o avanço do índice, embora a Petrobras enfrente pressão pelo enfraquecimento dos preços internacionais do petróleo, com recuo próximo aos 2%.
O desempenho acumulado reforça a impressionante trajetória de 2025. Com ganho acumulado de 32,34% desde o início do ano, o Ibovespa não apenas recuperou dos estresses econômicos dos primeiros meses como construiu uma performance considerada sólida mesmo em cenário de juros estruturalmente altos.
A recuperação da confiança reflete na semana, com ganho acumulado de 1,15%, sugerindo que o fluxo de capital doméstico e internacional continua encontrando oportunidades na bolsa brasileira.
O contexto fiscal também favorece a perspectiva para os últimos dias de negociação. As aprovações de medidas de aumento de receitas no Congresso Nacional, como a taxação de fintechs e plataformas de apostas, contribuem para a percepção de disciplina nas contas públicas, aspecto relevante para o apetite de risco dos investidores.
A expectativa de cortes de juros no próximo ano, com projeções do mercado apontando para redução da Selic a patamares próximos de 12,25% ao fim de 2026, oferece perspectiva adicional de estímulo à atividade econômica.
A consolidação do patamar de 161 mil pontos representa não apenas um marco histórico, mas também a manifestação de confiança renovada no mercado acionário brasileiro. A sequência de nove meses de expansão dos serviços, dados que sublinham a resiliência econômica, e a estabilidade monetária criada pela postura cautelosa do Banco Central estabelecem fundações mais sólidas para as negociações que se aproximam do encerramento do ano.
A bolsa brasileira segue demonstrando que, para além das incertezas políticas e fiscais que marcaram o período, existe espaço para ganhos reais em ativos acionários de qualidade.

