Ibovespa sobe: Azul, Rede D’Or, Casas Bahia e Localiza em foco hoje

Ibovespa sobe: Azul, Rede D’Or, Casas Bahia e Localiza em foco hoje

A sessão desta segunda-feira apresenta um mercado em movimento, com investidores atentos a uma série de eventos corporativos relevantes e desdobramentos que impactam diretamente o desempenho das ações na bolsa brasileira.

O Ibovespa iniciou dezembro em trajetória de recuperação, alcançando a marca de 160.766 pontos na última sexta-feira com alta de 0,99%, acumulando ganho de 2,16% na semana e avanço de 29,01% no ano.

Azul confirma reestruturação e espera saída do Chapter 11 no início de 2026

A Azul (AZUL4) anunciou na sexta-feira a confirmação de seu plano de reestruturação pelo Tribunal dos Estados Unidos, recebendo mais de 90% de aprovação de todas as classes de credores elegíveis e superando o limite necessário para homologação judicial.

O plano prevê uma reestruturação abrangente do balanço patrimonial da companhia, incluindo a redução de mais de US$ 3 bilhões em dívidas, obrigações com arrendamentos, juros anuais e custos recorrentes com frota.

A reestruturação também contempla uma oferta de direitos de ações de até US$ 950 milhões, dos quais US$ 850 milhões já estão garantidos ou assegurados por parceiros estratégicos, incluindo AerCap, American Airlines e United Airlines.

O acordo elimina mais de US$ 2,6 bilhões em dívidas e obrigações de leasing de aeronaves, permitindo à companhia encerrar o processo de Chapter 11 no início de 2026 com um índice de alavancagem melhor que o inicialmente previsto.

As ações AZUL4 acumulam desvalorização de 74,46% nos últimos 12 meses, cotadas a R$ 0,96 no último pregão.

Apesar dos desenvolvimentos operacionais positivos, a XP Investimentos mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo revisado para R$ 4,10 até o final de 2025, citando incertezas quanto à diluição decorrente da conversão de ações e instrumentos conversíveis das negociações recentes.

Rede D'Or distribui R$ 8,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio

A Rede D'Or (RDOR3) aprovou uma das maiores distribuições de dividendos já registradas entre as companhias listadas na B3 em 2025, com pacote que soma R$ 8,1 bilhões, equivalente a um yield de 7,9%.

Do total aprovado, R$ 400 milhões serão pagos na forma de juros sobre capital próprio (JCP), enquanto R$ 5,62 bilhões correspondem a dividendos intermediários, ambos com liquidação em 30 de dezembro de 2025. Outros R$ 2,1 bilhões foram destinados a dividendos intercalares, com pagamento previsto apenas para dezembro de 2026.

Considerando os R$ 1,35 bilhão já distribuídos em JCP ao longo do ano, o retorno total em caixa aos acionistas da companhia em 2025 alcança R$ 9,47 bilhões, representando um yield de 9,2%.

Segundo o BTG Pactual, o montante aprovado superou as expectativas do mercado, que projetava uma distribuição extraordinária mais contida, abaixo de R$ 5 bilhões.

A estratégia da Rede D'Or se diferencia pelo cronograma de pagamentos. Em meio às incertezas jurídicas envolvendo a nova Lei 15.270, que institui a tributação de dividendos a partir de 2026, a companhia optou por antecipar a maior parte das distribuições para 2025.

A decisão por um payout mais agressivo foi interpretada como um sinal claro de confiança da administração na capacidade de gerar fluxo de caixa livre robusto nos próximos anos.

As ações RDOR3 apresentam valorização de 74,66% nos últimos 12 meses, cotadas a R$ 45,84. A companhia possui P/L de 23,63 e P/VP de 3,99, com lucro líquido de R$ 4,59 bilhões nos últimos 12 meses.

Casas Bahia avança em reperfilamento de dívidas com emissão de R$ 3,95 bilhões

A Casas Bahia (BHIA3) anunciou a 11ª emissão de debêntures, em até quatro séries, no valor total de até R$ 3,95 bilhões, como parte do plano de transformação da estrutura de capital.

Os recursos obtidos serão destinados ao reperfilamento do passivo da 10ª emissão ou para reforço de caixa.

A companhia informou que, assumindo que 100% da 10ª emissão adira à 11ª emissão, haverá uma redução de, no mínimo, R$ 2,8 bilhões no valor a ser pago de amortização de principal, levando a uma economia potencial de R$ 4,5 bilhões entre despesas financeiras e principal até 2030.

As séries 1 e 4 serão da espécie com garantia real e não conversíveis em ações, enquanto as séries 2 e 3 serão quirografárias e conversíveis em ações ordinárias.

O volume máximo da primeira série foi fixado em R$ 437,472 milhões, e o montante total da operação poderá atingir R$ 3,950 bilhões.

A operação é mais um capítulo no processo de reestruturação iniciado pela companhia em 2024, quando entrou com pedido de Recuperação Extrajudicial para renegociar R$ 4,1 bilhões em dívidas.

As ações BHIA3 acumulam alta de 9,86% em 2025, cotadas a R$ 3,12, com valorização de 28,16% nos últimos 12 meses. O papel negocia a um P/L de 2,75 e P/VP de 0,11, refletindo o processo de reestruturação em andamento.

B3 projeta aumento de despesas e Capex para 2026

A B3 (B3SA3) divulgou suas projeções para 2026, prevendo despesas ajustadas entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,6 bilhões, acima da faixa de R$ 2,26 bilhões a R$ 2,45 bilhões de 2025.

O Capex está estimado entre R$ 260 milhões e R$ 350 milhões para o próximo ano, comparado à faixa de R$ 240 milhões a R$ 330 milhões prevista para 2025.

Para os desembolsos totais, a projeção da B3 para 2026 é de R$ 3,17 bilhões a R$ 3,61 bilhões, enquanto em 2025 a estimativa era de R$ 2,84 bilhões a R$ 3,22 bilhões.

A alavancagem financeira, medida pela relação entre a Dívida Bruta e o EBITDA recorrente dos últimos 12 meses, é projetada para ficar em até 2,2x em 2026, ligeiramente acima da previsão de até 2,1x para 2025.

A companhia também aprovou programa de recompra de até 230 milhões de ações de sua própria emissão.

As ações B3SA3 apresentam alta de 45,98% nos últimos 12 meses, cotadas a R$ 14,50, com dividend yield de 1,92%. A empresa possui P/L de 15,72 e lucro líquido de R$ 4,86 bilhões nos últimos 12 meses.

Localiza anuncia JCP de R$ 543,6 milhões e 17º programa de recompra

A Localiza (RENT3) aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 543,6 milhões, equivalente a R$ 0,51754 por ação.

O pagamento está agendado para 6 de fevereiro de 2026 e será entregue aos acionistas registrados na posição acionária de 17 de dezembro de 2025, com as ações passando a ser negociadas ex-JCP a partir do dia 18 de dezembro.

A companhia também anunciou seu 17º programa de recompra de ações, que permite comprar até 72 milhões de ações. Esses ativos poderão ficar em tesouraria e, posteriormente, ser vendidos novamente ou cancelados, sem reduzir o capital social.

O programa terá vigência até 21 de julho de 2027 e visa tanto a liquidação de concessões e opções relacionadas aos planos de incentivo de longo prazo quanto a maximização da geração de valor para os acionistas.

As ações RENT3 acumulam valorização de 61,53% nos últimos 12 meses, cotadas a R$ 47,49.

A XP Investimentos mantém preço-alvo de R$ 62,00 para o papel, representando potencial de alta de 30,55%. A empresa possui P/L de 18,57 e dividend yield nos últimos 12 meses de 1,20%.

Cenário macroeconômico e perspectivas para o mercado

O mercado brasileiro opera em momento de consolidação após forte alta em novembro, quando o Ibovespa subiu 6,46% e renovou recordes históricos.

Os investidores monitoram a trajetória dos juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, após o Banco Central manter a Selic em 15% e o Federal Reserve realizar corte de 0,25 ponto percentual nas taxas americanas.

No cenário doméstico, o setor de serviços avançou 0,3% em outubro, marcando a nona alta consecutiva e renovando o patamar recorde da série histórica.

O Ibovespa é negociado a um múltiplo P/L 2026 de aproximadamente 8,3 vezes, abaixo da média histórica, refletindo as preocupações fiscais e o ambiente de juros elevados.

A nova tributação sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais por beneficiário, que entrará em vigor em janeiro de 2026, tem motivado uma onda de antecipação de distribuições por empresas brasileiras.

Para ficarem isentas dos 10% de imposto de renda, as companhias precisam calcular e aprovar a distribuição de juros e dividendos até 31 de dezembro de 2025, podendo realizar o pagamento efetivo até 2028.

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Pedro Costa

Pedro Costa é o editor e analista de mercados, dedicado a rastrear a Economia Global e as Notícias de Negócios & Destaques diários. Com extensa experiência em análise macro, ele foca em fusões, políticas econômicas e Curiosidades Empresariais históricas.