OBECON: A olimpíada que fez o Brasil referência em economia global

OBECON: A olimpíada que fez o Brasil referência em economia global

Em meio a um contexto onde 55% da população brasileira afirma pouco compreender sobre economia e educação financeira, uma iniciativa surgiu para transformar esse cenário.

Criada há oito anos, a Olimpíada Brasileira de Economia (OBECON) se consolidou como um catalisador de excelência acadêmica, posicionando o Brasil como potência intelectual no campo da educação econômica em escala global.

O projeto nasceu com um objetivo claro e ambicioso: gerar impacto social e educação financeira para a sociedade, além de ajudar a formar grandes talentos e mantê-los no Brasil, conforme exposto por Raphael Zimmermann, presidente da organização e idealizador do projeto.

Desde sua fundação, a OBECON impactou mais de 70 mil alunos, alcançando todas as regiões do país, com 35% provenientes de escolas públicas e 65% de instituições particulares.

O destaque, porém, reside na consistente performance brasileira na Olimpíada Internacional de Economia (International Economics Olympiad – IEO). O Brasil já foi campeão mundial dessa competição cinco vezes, transformando-se no país mais premiado da história do evento, à frente de mais de 50 outras nações.

Em 2025, a equipe brasileira alcançou um feito histórico, conquistando o primeiro lugar global na prova de Finanças, o prêmio de melhor desempenho em Economia, além de duas medalhas de prata e duas de bronze.instagram

Esse desempenho é particularmente notável quando considerado o contexto econômico global.

Enquanto o Brasil historicamente enfrentava desafios em seu próprio ranking de economia mundial – caindo de posições de destaque para ocupar lugares menos proeminentes entre as maiores economias do mundo – a OBECON construiu uma narrativa diferente centrada na excelência intelectual e no potencial humano.ecodebate

A estrutura da OBECON foi pensada para selecionar os melhores talentos de forma rigorosa e meritocrática. O processo divide-se em cinco fases, começando com uma prova online gratuita de conhecimentos gerais, seguida por uma avaliação presencial em grupo que seleciona os 15 melhores desempenhos.

Os selecionados passam por cinco meses intensivos de treinamento e provas, culminando na escolha de cinco estudantes que representarão o Brasil na competição internacional.

Para esses alunos, a participação vai além do campeonato em si. A organização construiu parcerias estratégicas com universidades como FGV, Insper e Ibmec, que aceitam alunos por meio de seu desempenho nas olimpíadas – um modelo inédito no Brasil.

Além disso, a exigência elevada de conhecimento transformou a participação na OBECON em uma chancela de prestígio para instituições internacionais de renome, como a Universidade Duke e a Wharton School da Universidade da Pensilvânia.

As histórias de sucesso dos participantes ilustram como a iniciativa transcende números. Lucas Rivelli, estudante de uma das piores escolas de Varginha em Minas Gerais, descobriu a OBECON por pesquisas online e a viu como uma oportunidade genuinamente meritocrática. Em sua primeira participação em 2023, foi selecionado para a IEO e fez parte do time ganhador de medalha de ouro, o que abriu portas para sua admissão na Universidade Duke.

Manuela Buesa, de São Paulo, tornou-se a segunda mulher na história a representar o Brasil em uma olimpíada científica mundial, conquistando bronze em 2023 e ouro em 2024. Sua participação no programa a levou a um estágio na Dahlia Capital e a uma pesquisa publicada na Harvard International Review.

O financiamento da OBECON resulta de uma coalizão entre o setor privado e instituições financeiras. Empresas como B3, BTG Pactual, Verde Asset, Ripple, Dahlia Capital e Bain & Company atuam como patrocinadoras, com participação ativa nas provas presenciais e, em alguns casos, contratação de destaques da competição.

Para a B3, o apoio representa uma oportunidade de capacitar futuras gerações de profissionais, considerando os resultados das olimpíadas internacionais como inspiradores para que estudantes se dediquem e sonhem grande.

Apesar do apoio de instituições consolidadas, a organização enfrenta desafios financeiros contínuos.

Segundo Zimmermann, há crescimento no número de interessados em participar, porém a OBECON termina cada ano com questões de caixa que precisam ser equilibradas, representando seu maior desafio estrutural.

O impacto transcende o Brasil. De acordo com o presidente da organização, o projeto demonstra que o país consegue competir no mesmo nível que o resto do mundo, apesar de não compartilhar da mesma tradição de ensino de economia que países como Estados Unidos e China.

Essa conquista é particularmente significativa em um contexto onde a educação econômica ainda é uma lacuna importante na formação de muitos brasileiros.

A OBECON se distingue por sua abordagem inclusiva. Atualmente, 52% dos participantes são mulheres, refletindo esforços para ampliar oportunidades para grupos minoritários.

A organização amplia continuamente o acesso à educação econômica e fomenta oportunidades equitativas para todos os brasileiros independentemente de sua origem ou recursos.

A projeção do Brasil como referência em economia não ocorreu através de indicadores macroeconômicos tradicionais, mas pela demonstração consistente de excelência intelectual, capacidade de formar talentos de classe mundial e pelo estabelecimento de um modelo educacional que se tornou paradigma internacional.

A OBECON transformou a percepção global sobre o potencial intelectual brasileiro, posicionando o país não apenas como economia em desenvolvimento, mas como produtor de pensadores e especialistas em economia capazes de concorrer e vencer no mais alto nível internacional.

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Pedro Costa

Pedro Costa é o editor e analista de mercados, dedicado a rastrear a Economia Global e as Notícias de Negócios & Destaques diários. Com extensa experiência em análise macro, ele foca em fusões, políticas econômicas e Curiosidades Empresariais históricas.