Santa Catarina e as bilionárias mais jovens do planeta: Luana e Lívia

Santa Catarina e as bilionárias mais jovens do planeta: Luana e Lívia

A conexão entre Santa Catarina e as bilionárias mais jovens do mundo não é uma coincidência, mas resultado de dois caminhos distintos que convergem para o estado do Sul do Brasil.

Luana Lopes Lara, de 29 anos, natural de Joinville, e Lívia Voigt de Assis, de 21 anos, residente em Jaraguá do Sul, representam fenômenos econômicos opostos porém igualmente extraordinários, ambos originários do solo catarinense.

Luana Lopes Lara conquistou o título de bilionária mais jovem do mundo a construir sua própria fortuna, ultrapassando personalidades internacionais em um feito inédito. Nascida em Joinville, ela é filha de uma professora de matemática e um engenheiro elétrico, formação que moldou seu percurso desde a infância.

Após completar o ensino médio, Luana seguiu caminho atípico ao se tornar bailarina profissional no Salzburger Landestheater, na Áustria, apresentando-se em produções como O Lago dos Cisnes. A transição para a tecnologia ocorreu quando ingressou no Massachusetts Institute of Technology, onde obteve bacharelado em Ciência da Computação e Matemática.

Foi no MIT que Luana conheceu Tarek Mansour, seu futuro sócio. Ambos trabalharam em instituições financeiras renomadas antes de fundar a Kalshi em 2018, plataforma que permite aos investidores apostar em eventos futuros como eleições, resultados esportivos e flutuações de mercado.

O valor de mercado da empresa cresceu exponencialmente, saltando de US$ 2 bilhões em junho para US$ 11 bilhões em dezembro de 2025, após rodada de investimentos liderada pela Paradigm e com participação de Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.

Lívia Voigt de Assis representa o oposto da trajetória autossuficiente de Luana. Com 21 anos, é a segunda bilionária mais jovem do mundo por patrimônio herdado, acumulando fortuna de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.

Sua riqueza origina-se da WEG, gigante catarinense de equipamentos elétricos fundada em 1961 pelo avô Werner Ricardo Voigt, em Jaraguá do Sul. Lívia herdou 3,1% das ações da empresa através de sua mãe, Valsi Voigt, e atualmente cursa Psicologia, mantendo perfil discreto nas redes sociais.

A WEG não apenas gerou a fortuna de Lívia, mas consolidou-se como "fábrica de bilionários" no contexto nacional. A empresa possui mais de 30 bilionários associados a seu capital acionário, sendo sete deles entre os dez mais jovens do Brasil.

Sua estrutura familiar de governança corporativa permitiu a multiplicação de patrimônios entre gerações de herdeiros, fenômeno que distingue a empresa no cenário global.

A conexão compartilhada entre Luana e Lívia vai além da simples coincidência geográfica. Ambas nasceram ou se desenvolveram em um estado que representa um polo econômico brasileiro de relevância internacional.

Santa Catarina abriga atualmente 43 bilionários, o maior número entre todos os estados brasileiros, com concentração particular na indústria manufatureira e tecnológica. O faturamento do setor de tecnologia catarinense atingiu R$ 42,5 bilhões em 2024, colocando o estado na quinta posição nacional e na terceira em termos de participação no PIB estadual com 7,75%.

Florianópolis, capital catarinense, é particularmente relevante neste contexto, respondendo por 30,8% do faturamento tecnológico total do estado com 6.099 empresas de tecnologia gerando R$ 12 bilhões em receita.

A densidade de empreendimentos tecnológicos per capita em Florianópolis é a segunda maior do país, ficando atrás apenas de São Paulo.

Luana Lopes Lara exemplifica o papel de Santa Catarina como incubadora de talento que transcende suas fronteiras. Sua formação no MIT, experiência em gestoras de fundos de investimento como Bridgewater Associates e Citadel, e subsequente criação de uma plataforma financeira inovadora demonstram como o estado produz profissionais capazes de impacto global.

O reconhecimento de Luana pela Forbes não apenas posiciona Joinville no mapa da inovação empresarial, mas também reforça a capacidade catarinense de gerar empreendedores de classe mundial.

Por sua vez, Lívia Voigt representa a consolidação de estruturas empresariais centenárias que se transformam em geradores de valor sustentado.

A WEG, com presença em 41 países e faturamento de R$ 32,5 bilhões em 2023, ilustra como empresas catarinenses transpõem as barreiras regionais para se tornar fornecedoras globais de tecnologia industrial.

A trajetória de ambas reflete dois paradigmas econômicos contemporâneos: a criação de valor através da inovação disruptiva, exemplificada por Luana, e a preservação e multiplicação de patrimônio através da herança corporativa, representada por Lívia.

Ambos os modelos encontram em Santa Catarina um ambiente propício, seja pela tradição de empreendedorismo que marca a região, seja pela qualidade educacional e pelos incentivos governamentais ao setor tecnológico.

Santa Catarina consolidou-se nas últimas décadas como região de excelência econômica no contexto brasileiro, caracterizada por diversificação produtiva, inovação constante e atração de talentos.

A simultaneidade de duas bilionárias de origem catarinense no topo global de jovens magnatas não representa casualidade, mas culminação de processos de desenvolvimento econômico que colocam o estado em posição de protagonismo na economia nacional e internacional.

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Matheus Viana

Matheus Viana é um entusiasta da inovação e tecnologia aplicada. Sua paixão é dissecar as estratégias de Empreendedorismo e Startups, a influência da Tecnologia nos Negócios (IA, Cloud) e realizar Reviews imparciais de Software e Serviços para empresas.