Os títulos prefixados do Tesouro Direto enfrentam pressão significativa sobre suas cotações, com as taxas recuando progressivamente de patamares recordistas atingidos na metade de 2025.
O Tesouro Prefixado 2028, que oferecia cerca de 14,6% quando lançado, negocia agora em torno de 13,14% ao ano, enquanto os vencimentos intermediários—2032 e 2035—ainda oscilam nos níveis de 13%, mas enfrentam clara ameaça de queda iminente.
A mudança no cenário é impulsionada principalmente pela crescente convicção do mercado sobre o ciclo de redução de juros que se aproxima. O Banco Central do Brasil, embora tenha mantido a Selic em 15% ao ano e sinalizado sua permanência em nível elevado por um "período prolongado," deixou aberta a possibilidade de cortes subsequentes.
As projeções do mercado, consolidadas no boletim Focus divulgado regularmente pelo BC, apontam a Selic em patamares de 12,25% ao ano ao término de 2026, representando uma queda de 2,75 pontos percentuais no próximo ano.
Economistas de diferentes casas de análise agora convergem para cenários ainda mais agressivos. O Itaú projeta o juro básico em 12,75% até o final de 2026, o Citi vislumbra reduções que levariam a taxa a 12%, enquanto algumas instituições como o próprio Itaú Asset Management e analistas independentes cogitam quedas ainda maiores, chegando a 11% ou 11,5% no mesmo período.
Nesse contexto de expectativa de deflação de juros, os investidores que já travaram taxas prefixadas elevadas tendem a valorizar seus papéis, criando oportunidades para venda com ganho.
O fenômeno é especialmente visível nos papéis mais longos. O Tesouro IPCA+ 2050, que chegou a oferecer 7,02% de juro real acima da inflação no final de outubro, recuou para 6,88%, movimentação que reflete a expectativa de ambiente com juros menores no longo prazo.
Esse "fechamento da curva de juros," como denominam os profissionais, reduz o prêmio exigido pelos investidores para emprestar dinheiro ao governo por períodos mais dilatados.
Nos papéis atrelados à inflação, a queda tem sido mais moderada, mas igualmente relevante. O Tesouro IPCA+ 2029 caiu de 7,01% na decisão do Copom para 6,89%, enquanto o IPCA+ 2035 opera em 7,28%.
Essas reduções refletem a percepção de que o Banco Central está próximo de consolidar as expectativas de inflação dentro da meta de 3%, removendo um dos pilares que sustentava os juros reais elevados.
A volatilidade política também adicionou uma camada de complexidade ao ambiente de investimento. A declaração de Flávio Bolsonaro sobre sua pré-candidatura "irreversível" à Presidência em 2026 provocou duas suspensões das negociações do Tesouro Direto, em 4 e 9 de dezembro, por causa dos circuit breakers que protegem investidores de flutuações bruscas.
Com cada movimento político, as taxas disparam temporariamente, refletindo maior aversão ao risco fiscal, antes de recuarem novamente quando o ruído arrefece. Essa dinâmica sugere que, além do cenário monetário, investidores também precificam preocupações com a sustentabilidade das contas públicas em um ano eleitoral.
Apesar da pressão sobre os prefixados, 2025 consolidou-se como "o ano da renda fixa" no Brasil. Os títulos prefixados foram os grandes vencedores de rentabilidade em relação aos pós-fixados e aos indexados à inflação.
Investidores que aplicaram recursos quando as taxas alcançavam patamares superiores a 13% em diversos vencimentos colheram ganhos expressivos em 2025, enquanto o mercado já começava a precificar a queda iminente da Selic.
O desempenho positivo da renda fixa consolidou sua posição como protagonista no mercado de capitais brasileiro. O Tesouro Direto atingiu 3 milhões de investidores no segundo trimestre de 2025, marcando um recorde histórico com crescimento de 14% em relação ao ano anterior.
O valor em custódia saltou para aproximadamente R$ 170 bilhões, refletindo não apenas novos acessos, mas também a decisão de investidores já presentes na plataforma de aumentar alocações durante o período de juros elevados.
A questão que intriga o mercado agora é se os títulos prefixados conseguirão manter o patamar de 13% por mais tempo ou se assistirão a uma queda acelerada conforme avança dezembro e se aproxima janeiro de 2026.
Analistas avaliam que a velocidade dessa queda dependerá de três fatores principais: a confirmação de um cenário macroeconômico mais favorável para cortes de juros, a evolução das expectativas de inflação e o comportamento das variáveis políticas que continuam a gerar sobressaltos nas taxas.
Para investidores que ainda não se posicionaram em papéis prefixados, o dilema persiste. Travar taxa de 13% ao ano oferece rendimento atrativo comparado à média histórica de 10,5% da Selic nos últimos vinte anos, mas expõe o investidor ao risco de que os juros caiam ainda mais rapidamente do que o mercado projeta, causando ganho de capital imediato, ou, inversamente, que o cenário fiscal se deteriore e as taxas subam novamente antes da queda esperada.
A escolha entre prefixados e títulos indexados à inflação, portanto, continua refletindo expectativas individuais sobre o comportamento do banco central e da economia brasileira nos próximos meses.

